Quem Foi Melquisedeque E Por Que Ele É Importante?

24/02/2025

Melquisedeque é uma das figuras mais misteriosas de toda a Bíblia. O Catecismo da Igreja Católica o descreve como "figura de Cristo" (§58; cf. §1544), enquanto a Epístola aos Hebreus fala de Jesus como sendo "Pontífice eterno, segundo a ordem de Melquisedeque" (Hb 6,20; cf. 5, 6;10).

Na Santa Missa, o significado de Melquisedeque é ainda mais ressaltado pelas palavras do sacerdote após a consagração no Cânon Romano:

Recebei, ó Pai, com olhar benigno, esta oferta, como recebestes os dons do justo Abel, o sacrifício de nosso patriarca Abraão e a oblação pura e santa do sumo sacerdote Melquisedeque. (Oração Eucarítica I)

Enquanto Abel e Abraão são personagens mais conhecidos, Melquisedeque continua sendo, pelo menos para muitos de nós, um enigma. Quem era esse sumo sacerdote e por que ele é importante?

Melquisedeque na Bíblia

The Bible tells us that the name Melchizedek means "king of righteousness" (see Heb 7:2). Despite Melchizedek's eminence in the tradition of the Church, we possess a record of only a single event from his life. That event is recounted in the Old Testament book of Genesis:

A Bíblia nos diz que o nome Melquisedeque significa "rei da justiça" (ver Hb 7, 2). Apesar da eminência de Melquisedeque na tradição da Igreja, temos o registro de apenas um único evento de sua vida. Esse evento é relatado no livro de Gênesis do Antigo Testamento:

Voltando Abrão da derrota de Codor­laomor e seus reis aliados, o rei de Sodo­ma saiu-lhe ao encontro no vale de Save, que é o vale do rei. Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, mandou trazer pão e vinho, e abençoou Abrão, dizendo: "Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o céu e a terra! Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!".

E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo. (Gn 14,17-20)

Embora seja muito breve, essa passagem nos diz várias coisas importantes sobre quem é Melquisedeque.

Primeiro, o texto deixa claro que Melquisedeque é o superior de Abrão. Mesmo depois de Abrão (que passará a se chamar Abraão em Gênesis 17) ter vencido uma batalha poderosa, ele ainda reconhece a realeza sacerdotal de Melquisedeque, oferecendo-lhe um décimo de tudo o que possui.

Em segundo lugar, Melquisedeque é descrito como rei e sacerdote, o que é uma combinação rara no Antigo Testamento. Ele também não pode ser descartado como um sacerdote pagão ilegítimo, pois o autor o caracteriza explicitamente como um "sacerdote do Deus Altíssimo".

Em terceiro lugar, Melquisedeque é rei de Salém - uma palavra que significa paz e uma abreviação de Jerusalém, a mesma cidade onde o Templo de Deus seria construído um dia (ver Sl 75(76),1-2).

Em quarto lugar, o papel de Melquisedeque na narrativa é muito misterioso; ele é claramente uma figura importante, mas entra em cena sem nenhuma introdução real e sai de novo com a mesma rapidez.

Finalmente, em quinto lugar, Melquisedeque aponta claramente para Jesus de várias maneiras: ele é um sacerdote do Deus Altíssimo; é um rei de justiça e paz; está sediado em Jerusalém; e oferece a Deus um sacrifício de ação de graças com pão e vinho.

No Novo Testamento, essas conexões profundas entre Melquisedeque e Jesus foram percebidas pelo autor da Epístola aos Hebreus, que elabora o relato esparso encontrado em Gênesis:

Este Melquisedeque, rei de Sa­lém, sacerdote do Deus Altís­simo, que saiu ao encontro de Abra­ão quando este regressava da derrota dos reis e o abençoou, ao qual Abraão ofereceu o dízimo de todos os seus despojos, é, conforme seu nome indica, primeiramente "rei de justiça" e, depois, rei de Salém, isto é, "rei de paz". Sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre. Considerai, pois, quão grande é aquele a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dos seus mais ricos espólios (Hb 7, 1-4).

Para o autor de Hebreus, a decisão de Abraão de dar o dízimo a Melquisedeque é especialmente significativa, pois prefigura o dízimo que o povo israelita ofereceria mais tarde aos sacerdotes levitas (ver Nm 18, 21). Assim como os sacerdotes levíticos detinham certa autoridade espiritual sobre o povo, Melquisedeque detém uma autoridade espiritual sobre Abraão; e como os levitas são descendentes de Abraão, segue-se que o sacerdócio deles deve estar subordinado ao sacerdócio de Melquisedec (ver Hb 7, 9-10).

"Segundo a Ordem de Melquisedeque…"

Outra coisa que o autor de Hebreus observa é que Melquisedeque desfrutava, como o Filho de Deus, de um sacerdócio que dura para sempre. Como devemos entender essa afirmação? Aqui devemos nos voltar para um versículo muito importante em um salmo muito importante:

O Senhor jurou e não se arrependerá: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque" (Sl 109(110), 4).

Conhecido como Salmo Messiânico, o Salmo 109(110) é o salmo mais frequentemente citado no Novo Testamento. No espaço de apenas alguns versículos, ele descreve o futuro Messias como alguém que será um grande rei, um filho real de Davi; além disso, o Messias até mesmo compartilhará do próprio Senhorio de Deus e será um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Como cristãos, sabemos que o Salmo 109(110) está falando de Jesus. Mas por que o sacerdócio de Jesus deveria ser segundo a ordem de Melquisedeque? Aqui é útil considerar um desafio que nossos irmãos judeus às vezes levantam em objeção ao cristianismo. O que eles apontam é que os Evangelhos descrevem claramente Jesus como sendo descendente de Davi, da tribo real de Judá. E isso é crucial para que Jesus seja considerado o tão esperado Messias, o legítimo rei de Israel.

Mas aqui está o problema: o Novo Testamento também retrata Jesus como sendo um sacerdote, e os sacerdotes não vêm de Judá. Desde o desastre do bezerro de ouro em Êxodo 32, os sacerdotes só vêm da tribo de Levi. Então, qual é o caso: Jesus é um rei da tribo de Judá ou um sacerdote da tribo de Levi?

Acontece que essa objeção não é nova, como o autor de Hebreus prontamente atesta. "E é notório que nosso Senhor nasceu da tribo de Judá, tribo à qual Moisés de nada encarregou ao falar do sacerdócio" (Hb 7,14). Então, não há dúvida: Jesus é descendente de Judá; Ele não é levita. Então, como Ele ainda pode ser considerado um sacerdote? Bem, para o autor de Hebreus, Jesus é um sacerdote exatamente da maneira que o Salmo 109(110) profetizou que o Messias seria um sacerdote: Ele é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Enquanto o sacerdócio dos levitas se baseia na afiliação tribal, começando com o sacerdócio de Arão, o sacerdócio de Jesus tem raízes em algo muito mais antigo. É o sacerdócio dos patriarcas, que se estende até Adão - um sacerdócio baseado não na linhagem sanguínea, mas no poder divino. Como a Epístola aos Hebreus explica ao descrever a linhagem sacerdotal de Cristo: "Isto se torna ainda mais evidente se se tem em conta que este outro sacerdote, que surge à semelhança de Melquisedeque, foi constituído não por prescrição de uma Lei humana, mas pela sua imortalidade" (Hb 7, 15-16).

Por que Isso é Importante

O significado de Jesus ser um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque está no fato de que Ele é um sacerdócio eterno e perfeito baseado no juramento solene de Deus: "O Senhor jurou e não se arrependerá: 'Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque'"(Sl 109(110), 4).

Devemos nos lembrar, também, de como a Epístola aos Hebreus descreveu as origens obscuras e a morte de Melquisedeque: "Sem pai, sem mãe, sem genealogia, a sua vida não tem começo nem fim; comparável sob todos os pontos ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre" (Hb 7,3). Isso sugere que fazia parte do plano divino que a figura de Melquisedeque, conforme descrita no livro de Gênesis, permanecesse envolta em mistério, de modo a se assemelhar melhor ao mistério do sacerdócio eterno do próprio Cristo.

Embora o sacerdócio levítico tenha servido ao seu propósito por um tempo, ele foi estabelecido como uma concessão à fraqueza espiritual de Israel e estava vinculado à antiga lei que "nada levou à perfeição" (Hb 7,19). E embora os sacerdotes levitas fossem muitos, eles ainda eram pecadores; ainda tinham que fazer sacrifícios todos os dias; e todos eles ainda morriam (ver Hb 7, 23).

Em Jesus, por outro lado,"é-lhe muito superior" (Hb 7, 22), a garantia de algo muito maior:

"É por isso que lhe é possível levar a termo a salvação daqueles que por ele vão a Deus, porque vive sempre para interceder em seu favor. Tal é, com efeito, o Pontífice que nos convinha: santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e elevado além dos céus, que não tem necessidade, como os outros sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro pelos pecados próprios, depois pelos do povo; pois isso o fez de uma só vez para sempre, oferecendo-se a si mesmo" (Hb 7, 25-27).

Jesus é nosso intercessor celestial, nossa vítima salvadora. Ele é o Messias divino, o novo e eterno rei da justiça. E por meio do sacrifício, não de touros e bodes, mas de Seu próprio Corpo e Sangue, dados a nós na Eucaristia sob as aparências de pão e vinho, Ele se revela como sacerdote para sempre - um sacerdote como Melquisedeque da antiguidade.

Autor: Clement Harrold

Original em inglês: St. Paul Center