As Circunstâncias Determinam A Pecaminosidade De Um Ato?

01/03/2025

Questão:

Para determinar se um ato moral é pecado, disseram-me que a intenção da pessoa e as circunstâncias que envolvem o ato moral devem ser levadas em consideração. Depois, seguindo nossa consciência, cada um de nós deve decidir por si mesmo se um ato é ou não pecaminoso para nós. Portanto, se eu me submeter à esterilização com a intenção de salvar meu casamento ou porque não tenho condições de ter outro filho, então a esterilização pode ser moralmente correta para mim.

Resposta:

O que lhe foi dito está errado. Alguns atos são intrinsecamente maus e não podem ser praticados, mesmo para garantir um bem, como salvar um casamento ou viver dentro de suas possibilidades. As Escrituras são explícitas nesse ponto (Rm 3, 8). Somente se um ato for intrinsecamente permissível é que a questão de saber se as circunstâncias justificam essa ação se torna relevante.

O procedimento adequado a ser seguido é primeiro consultar a Igreja e as fontes de revelação para determinar se o ato é permitido e, somente se for, perguntar se as circunstâncias o justificam nesse caso. Não se pode antecipar a primeira pergunta presumindo que toda ação é potencialmente permitida.

Embora alguns teólogos tentem promover essa forma de pensar, ela está longe de ser o que a Igreja ensina ou já ensinou. A expressão "O caminho para o inferno é pavimentado com boas intenções" funciona muito bem aqui. Boas intenções ou circunstâncias complexas nunca podem transformar um ato imoral em algo bom.

Entretanto, se uma pessoa ignora a pecaminosidade de um ato moral que comete e sua ignorância não é culpa sua, sua culpabilidade é menor do que a de alguém que sabia da pecaminosidade do ato ou que intencionalmente deixou de investigar o valor moral do ato. Formar uma consciência verdadeira e segui-la é essencial se quisermos levar uma vida moralmente correta. Uma consciência verdadeira baseia-se em verdades morais objetivas - ou seja, os Dez Mandamentos.

Em Mateus 19,16, o jovem rico pergunta a Jesus o que ele deve fazer para ter a vida eterna. Jesus responde: "Se queres entrar na vida, observa os mandamentos". Os Dez Mandamentos exigem que amemos e respeitemos a Deus e ao próximo.

Nunca devemos usar os outros como um meio para um fim, pois cada pessoa tem dignidade e é um fim em si mesma. Quando frustramos o ato sexual por meio de esterilização ou contracepção, não apenas violamos a lei natural, mas também os mandamentos ao usar o outro como um meio para gratificação egoísta em vez de um fim, ou seja, alguém a quem nos entregamos inteiramente e abnegadamente.

A esterilização feita para evitar o parto nunca é permitida e, portanto, nenhuma circunstância específica, incluindo a sua, a justifica.

Autor: Jan Wakelin

Original em inglês: Catholic Answers