7 Mulheres Incríveis Do Novo Testamento

29/03/2025

Um aspecto notável da revolução moral cristã foi a insistência de que as mulheres são iguais aos homens em dignidade e valor. Os primeiros cristãos levaram a sério a declaração do livro de Gênesis de que tanto os homens quanto as mulheres foram criados à "imagem e semelhança" de Deus (Gênesis 1, 27). À medida que o Evangelho se espalhou pelo mundo mediterrâneo, o mesmo aconteceu com a verdade bíblica de que homens e mulheres "todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3,28; cf. 1 Cor 11,11-12).

A defesa da Igreja nesse ponto tornou-se tão conhecida que seus críticos pagãos frequentemente a acusavam de promover uma religião efeminada, adequada apenas para mulheres e escravos. Nas palavras zombeteiras do filósofo Celso, que viveu no século II: "[Os cristãos] demonstram manifestamente que desejam e são capazes de conquistar apenas os tolos, os mesquinhos e os estúpidos, com mulheres e crianças" (Discurso Contra os Cristãos, Livro III).

A crítica de Celso foi repetida por outro pagão, Cecílio, que aparece em um diálogo chamado Otávio, escrito por um apologista cristão chamado Marco Minucius Felix. No diálogo, escrito no final do século II, Cecílio descreve o cristianismo como sendo culpado de "ter reunido os mais humildes, os menos habilidosos e as mulheres, crédulas e, pela facilidade de seu sexo, submissas" (cap. VIII).

Essas amostras são suficientes para mostrar algo da misoginia desenfreada que caracterizava o mundo antigo. Dentro desse ambiente, é ainda mais notável que o Novo Testamento forneça tantos exemplos de mulheres santas e heroicas. Aqui consideraremos sete desses modelos.

1. Isabel

O Evangelho de Lucas descreve Isabel como a esposa de Zacarias e parente de Nossa Senhora (ver Lc 1,36). Apesar do fato de Isabel ser "estéril" e "avançada em idade" (Lc 1,7), ela e Zacarias conceberam milagrosamente um filho, que seria conhecido como João Batista, o grande precursor de Cristo. Isabel também é uma das principais protagonistas do segundo mistério da alegria do Terço - a Visitação - quando o bebê João salta em seu ventre e Maria se lança em seu famoso Magnificat. A saudação de Isabel, cheia do Espírito, a Maria nessa ocasião foi imortalizada nas palavras da Ave Maria: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!" (Lc 1,42). A festa de Isabel ocorre em 5 de novembro, enquanto a Visitação é celebrada em 31 de maio.

2. Ana, a Profetisa

Ana aparece em apenas três versículos do Novo Testamento (ver Lc 2,36-38), mas seu impacto na narrativa do Evangelho é tangível. Dizem que Ana tinha 84 anos de idade quando conheceu a Sagrada Família durante a Apresentação de Jesus no Templo. Lucas a descreve como uma profetisa da tribo perdida de Aser que ficou viúva ainda jovem. Seu nome é uma forma grega do hebraico Hannah, que significa "favor" ou "graça". A santidade exemplar de Ana é demonstrada por meio de sua adoração a Deus "noite e dia com jejuns e orações" (Lc 2:37). Seu coração evangélico é destacado no detalhe de que, após seu encontro com o Menino Jesus, ela "falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém" (Lc 2:38). Ana é reconhecida como santa na Igreja Católica, e celebramos sua festa em 1º de setembro.

3. A Mulher Samaritana

O encontro de Jesus com a mulher de Samaria no poço, em João 4, é uma ilustração perfeita de como o cristianismo redefiniu o relacionamento entre homens e mulheres; até mesmo os discípulos ficaram surpresos quando voltaram e encontraram Jesus conversando a sós com uma mulher (ver Jo 4,27). Logo essa mulher corajosa se torna um modelo de discipulado cristão. Apesar de seu ceticismo inicial, a mulher samaritana cresce continuamente em seu desejo pelas águas espirituais que somente Cristo pode dar: ""Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir mais aqui para tirá-la!" (Jo 4,15). Quando chega a hora de ir embora, a mulher fica tão cativada por seu encontro com o Senhor que deixa seu jarro de água para trás enquanto corre de volta à cidade para compartilhar a Boa Nova com todos que conhece (ver Jo 4, 28-29).

4. Maria de Betânia e Maria Madalena

Tratamos esses dois nomes juntos por causa do debate de longa data, particularmente no cristianismo ocidental, sobre se as duas Marias são a mesma pessoa. Se essas duas Marias forem mulheres distintas, ambas são figuras excepcionais por si mesmas; se forem a mesma mulher, então ela é duplamente extraordinária! A Maria de Betânia pertence a honra de ter se sentado aos pés do Senhor contemplando "uma só coisa necessária" (ver Lc 10, 42). Em outra ocasião, quando ela ungiu os pés de Cristo com unguento perfumado, o Mestre a elogiou por ter praticado "uma boa ação para comigo." (Mt 26,10). Suas lágrimas pela morte de seu irmão Lázaro também parecem ser o catalisador da própria dor de Jesus no túmulo de Seu amigo (ver Jo 11, 33).

As lágrimas de Maria são espelhadas nas lágrimas de Maria Madalena no túmulo de Jesus, quando ela O confunde com o jardineiro. Depois que o Mestre a chama pelo nome, Maria reconhece Sua verdadeira identidade, tornando-se assim a primeira testemunha registrada da Ressurreição (ver Jo 20,11-18). Mesmo antes de se tornar a "apóstola dos apóstolos", no entanto, Maria Madalena teve o privilégio de ajudar a financiar o ministério de Jesus na Galileia depois que Ele a curou de sete demônios (ver Lc 8, 2-3).

Hoje, a Igreja celebra Santa Maria Madalena em sua festa tradicional de 22 de julho, enquanto Santa Maria de Betânia é celebrada junto com sua irmã Santa Marta e seu irmão São Lázaro em 29 de julho.

5. Lídia

Mencionada por São Lucas no livro de Atos, Lídia estava envolvida no comércio de tintura de púrpura e provavelmente era uma mulher rica. Natural de Tiatira, na atual Turquia, ela é considerada a primeira convertida ao cristianismo documentada na Europa. As Escrituras a descrevem como "temente a Deus" cujo coração foi aberto em resposta à pregação de São Paulo (Atos 16, 14). Imediatamente após ouvir essa pregação, Lídia foi batizada juntamente com sua família. Depois disso, ela passou a convidar Paulo e seus companheiros para ficarem em sua casa (ver Atos 16,15). A tradição cristã celebra Lídia por sua abertura à fé e por sua hospitalidade. Sua festa ocorre em 3 de agosto.

6. Priscila

Priscila e seu marido, Áquila, são mencionados em seis ocasiões diferentes no Novo Testamento. Eles eram um casal missionário de herança judaica que começou em Roma, mas foram exilados para Corinto após um decreto de expulsão do Imperador Cláudio (ver Atos 18,2). Como São Paulo, Priscila e Áquila eram fabricantes de tendas (ver Atos 18,3), e em algum momento eles se converteram ao cristianismo. De lá, eles se tornaram evangelistas zelosos, tanto que Paulo pôde afetuosamente chamá-los de seus "colaboradores em Cristo Jesus" (Rm 16,3). Este casal santo até desempenhou um papel na catequese de Apolo, que mais tarde se tornaria uma figura importante na Igreja primitiva (ver Atos 18, 26). Priscila e Áquila também eram conhecidos por abrir sua casa como um espaço para o culto cristão (ver 1 Co 16,19). Em um determinado momento, Paulo dá crédito ao casal por ter arriscado a própria vida para salvar a dele, observando que eles receberam a gratidão de todas as igrejas gentias (ver Rm 16,4). A tradição cristã afirma que Priscila e Áquila foram martirizados juntos em seu retorno a Roma; sua festa é celebrada em 8 de julho.

7. Maria, a Mãe de Jesus

Desde a Reforma, o papel de Maria na história da salvação tem sido frequentemente minado pelos cristãos protestantes, que afirmam que o Novo Testamento não fornece nenhuma base para conceder a ela o tipo de status exaltado de que ela desfruta no catolicismo romano ou na ortodoxia oriental. Isso é irônico, não apenas porque reformadores como Lutero e Calvino defenderam os dogmas marianos clássicos, mas também porque as Escrituras, na verdade, têm uma estima incrivelmente alta por Nossa Senhora.

De acordo com o Novo Testamento, Maria é aquela cuja perfeita submissão à vontade de Deus ajuda a desfazer o pecado de Eva (ver Lc 1,38), aquela que é repleta de graça (ver Lc 1,28), aquela que é coberta pela sombra do Espírito Santo (ver Lc 1,34), aquela que é a mais abençoada entre as mulheres (ver Lc 1,42), aquela a quem todas as gerações chamarão de bem-aventurada (ver Lc 1,48), aquela cuja intercessão maternal leva Jesus a iniciar Seu ministério de milagres (ver Jo 2,5), aquela a quem Jesus confia Seu discípulo mais querido (ver Jo 19,27) e aquela que é retratada como uma mãe espiritual para todos os fiéis (ver Ap 12,17).

De um ponto de vista bíblico, Maria é a Mãe de Deus (veja Lc 1,43) e a nova Arca da Aliança que recebe a ira de Satanás (ver Ap 11,19-12;1,17). Além disso, ela está presente em todos os momentos cruciais da gestação da Igreja: a Encarnação, o nascimento de Cristo, a crucificação (ver Jo 19,25-27) e o Pentecostes (ver Atos 1,14). Em resumo, nossa Mãe Santíssima recebe um status muito mais elevado do que qualquer outra figura humana na Sagrada Escritura e, como tal, ela deve ser apreciada e celebrada por todos os cristãos.

Autor: Clement Harrold

Original em inglês: St. Paul Center